O Curiosólogo

revista cultural caseira.
baseada em santa catarina, brasil.

François Muleka: Curioso até o tálamo

Published by

on

Fotos: Andressa Colbalchini

Músico, compositor, artista visual e cineasta, François chega em 2024 com lançamentos em diferentes mídias e formatos, mostrando-se um artista diversificado e inventivo. Em conversa para O Curiosólogo, ele conta sobre como a formação dessa sua multidisciplinaridade extracurricular está ligada à toda a sua trajetória de vida.

Por Renan Bernardi

Atualizado pela última vez: 30/09/2024, às 14h20.

Ser aguardado, em tom mais romântico, pode nos remeter a carinho, saudade. Em tom mais prático ou racional, “que é só o que cultuam dentro desse tédio, pelo menos ainda denota certa importância.

Por carinho ou importância, François Muleka era aguardado por um público expressivo na Bugio Centro durante a noite de quinta-feira do dia 15/08/24, onde fez o pré-lançamento de seu novo álbum, Putamen: Curioso até o tálamo, que sairá em breve.

Residente em Florianópolis-SC há quase 20 anos, François estava, portanto, sendo aguardado em sua própria cidade, no seu próprio espaço. E esse fator, para um artista com a sua originalidade e independência, é algo muito importante – e eu falo isso com carinho.

Em outro dia, 06/09/2024 – uma sexta-feira, François apresentava seu curta-metragem “Lições Marginais de Um Manuscrito Clandestino: A Devassa de 2007” no Festival Florianópolis Audiovisual Mercosul (o FAM), que aconteceu no CineShow do Shopping Beira-Mar.

Estive com Andressa Colbalchini (responsável pelas fotos da matéria) nesses dois eventos e, no segundo deles, conversei com o autor dessas obras para não apenas falar delas, mas também sobre os conceitos, contextos e a história de vida e de arte de François: coisa que vocês verão aí pra baixo.

Foto: Andressa Colbalchini

“Se um dia eu tenho que contar minha história a partir do Rio Congo, vai ser isso; e amanhã eu posso começar contando daqui já, do Rio Tavares”, me disse ele em certa altura da nossa conversa. Conversa que, naquele dia, começou pelo Rio Congo mesmo.

“Eu nasci em São Paulo, meus pais são do Congo, são da República Democrática do Congo. O Congo, ele tem uma peculiaridade que ele é – não sei se não é a única – conurbação entre duas capitais de países diferentes do mundo. Ou seja: a Grande Kinshasa é também a Grande Brazzaville, que são capitais de países contíguos separados por um rio, que é o Rio Congo.”

“E, em casa, eu tenho a vivência de ter um pai que é comunicólogo, mas lá no extremo próximo da matemática, ou seja: a comunicação na parte mais abstrata dela, principalmente trabalhando com cibernética, controle e informação. E, do outro lado, minha mãe é da área da administração, ou seja: números, mas da parte mais humana da administração, ela gosta de olhar a parte humana. Então, essa região fronteiriça de países, de identidade, me constitui a olhar diferentemente para as mesmas coisas: olhar pra matemática através duma sensibilidade, olhar pras coisas sensíveis cientificando elas.”

“Nasci em São Paulo, cresci em Brasília. E lá, durante um período, eu tinha como amigo da família um robô. Meu pai criou um robô que ele fazia análises da situação da pessoa e predições ou conselhos pro futuro. Isso porque ele criou, ele descobriu um modelo matemático que descrevia algoritmicamente o funcionamento dos jogos de adivinhação africanos: jogo de búzios, livro do destino egípcio.”

Essa confluência entre os Congos, entre a lógica e a sensibilidade, entre o científico e o ancestral, entre o Brasil e a África, formam o menino François. Penso que, sendo assim, onde nós vemos um rio separando um lugar do outro, um Congo do outro, ele talvez possa ver separação nenhuma. Tudo junto: Congos, comunicação, matemática, administração, humanidade, robôs e búzios.

“Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água” é uma canção que François fez com Luedji Luna e esta gravou num álbum de mesmo nome. Se nós vemos um rio separando um lugar do outro, François pode estar ali no meio desse rio – e achando muito bom, bom mesmo.

“Os dias passam e eu já vou / chama as pessoas queridas e vem / se perceber que o tempo é bom, é sinal / de que o amor foi quem nos deu razão”, é uma frase cuja letra e melodia é aplicada por François em diferentes músicas em suas gravações e apresentações. “Ela é um copyleft que eu faço, mas as pessoas acabam não entendendo. […] Ela não é de nenhum lugar, é mesmo uma tag! São fragmentos que eu criei de música, pedaços de melodia que se encaixam em qualquer lugar. Então aquele: ‘os dias passam e eu já vou’, pode ser: ‘ouviram do Ipiranga às margens plácidas / os dias passam e eu já vou / chama as pessoas queridas e vem’, né?”, me explicou ele.

Após ouvir a história de vida do François, essa tag me pareceu estar ligada com a sua defesa da generosidade, algo repetido (como um copyleft) por ele durante a conversa. O trecho “chama as pessoas queridas e vem”, por exemplo, pode ser associado com a forma como sua família lhe apresentou ferramentas para ver e criar mundos: como quando sua irmã mais nova, Marissol Mwaba, aos oito anos de idade, lhe ensinou os primeiros acordes no violão; ou como quando sua irmã mais velha, Alpha Petulay, botou um sofá amarelo no palco do Pátio de São Pedro, em Recife, para que o jovem tímido se sentisse mais confortável e fizesse a sua primeira grande apresentação.

Isso, somado aos outros conhecimentos e movimentos de sua família, vão formando um sujeito que se entende não exatamente nas fronteiras, mas nos encontros que elas proporcionam. “Eu morei em várias regiões do Brasil e tenho uma visão, que eu fui descobrindo através de morando em vários lugares, que só nascer no Brasil não é me fazer brasileiro. E, ao mesmo tempo, em casa, eu entendia também que eu não era africano. Então, essa descoberta desse lugar, dessa afrobrasilidade contemporânea, é uma coisa em andamento e em discussão também. Quando eu vejo que outras pessoas, como meu irmão que esteve aqui; como a Marissol, que tem uma carreira artística constituída aqui no Brasil e que agora tá fazendo sua presença também na França; ou a minha irmã mais velha, que é da cena de Lyon há muitos anos já, mas foi muito tempo da cena de Olinda; esse trânsito pelo lugar, pelo Brasil, cruzado pela música, vai me fazendo me entender enquanto pessoa brasileira e também enquanto pessoa africana. Portanto, afrobrasileiro não pelo que me estereotipariam, e sim me entender como alguém que tá inventando uma afrobrasilidade muito própria, e que tem a chance de botar essa afrobrasilidade não a prova, mas para troca, pra jogo com outras pessoas.”

Marissol Mwaba e François Muleka. Foto: Andressa Colbalchini

O incentivo à música dentro de casa logo rendeu frutos e os dois irmãos, François e Marissol, começam a gravar suas próprias composições quando eram ainda crianças.

“Começa bem artesanalmente e bem parecido com o jeito que faço filmes, por exemplo, bem parecido com o jeito que eu faço as artes visuais: que é pegando o que tá aqui e fazendo acontecer com o que tá, porque é isso, né? Então começou no computador do meu pai, um 486, que a gente conseguia gravar. Montamos uma banda que se chamava Exempli Gratia, era eu e ela [n.e: diz apontando para Marissol, que estava por perto durante a entrevista], a gente devia ter uns treze. […] Aí gravamos um disco que a gente ainda tem vontade de regravar aquilo, porque ficou muito bom! E quanto mais a gente foi trabalhando com isso, a gente viu como era valoroso aquele ímpeto, né?”

Anos mais tarde, já morando em Florianópolis, François vai contar com a generosidade de outras pessoas para começar a apresentar suas composições. “Eu cheguei aqui e, sempre muito tímido, né? Então é sempre bom tá fazendo um side-man assim. E aí eu tocava com João Amado, que é um poeta daqui que eu conheci através da Nicola [Mira Gonzaga], que estudava comigo e é irmã dele. E a gente começou a tocar junto e ele sempre falava, no show, eu tocando as músicas dele, ele falava: ‘François, toca uma música sua!’, botava pilha: ‘esse aqui é o François, ele vai tocar a música dele!’ e foi criando esse espaço afetivo que eu podia, eu me sentia mais à vontade – porque pô, meu amigo tá me pedindo pra tocar, não vou tocar?”, conta ele.

Depois, um pouco mais encorajado, suas músicas começam a ser tocadas em projetos com outros amigos. “E aí montei um grupo, chamava A Companhia Gentil, era um quarteto com Diogo Valente, o Kadu Müller – que toca comigo até hoje, e a Luciana Saren. A Lu, ela era namorada do Trovão [Rocha], então ele sempre tava nos ensaios. […] O Trovão já era um cara bem nerd da música e uma hora ele já conhecia tudo, me ajudava a entender as músicas, entender o que aquilo tava dizendo e fazer a comunicação com os colegas. Até que teve um dia, não sei quem que teve essa ideia, algum de nós teve essa ideia de fazer esse trio junto com o Max Thomas, então montamos o Karibu, que minha mãe batizou esse grupo.”

“Karibu”, na língua suaíli (a mesma de “hakuna matata”, como ele me explicou) significa “bem-vindo”. Dessa forma, é como se a mãe de François tivesse batizando e dando as boas-vindas para a própria carreira discográfica do filho, visto que foi com esse grupo que ele fez a primeira gravação “mais validada” de suas canções, em um disco de mesmo nome.

Lançado em 2011, o álbum conta também com as participações de Marissol, João Amado e Diogo Valente, além de uma história curiosa sobre sua capa: “Eu não trabalhava com artes visuais ainda, só tocava e compunha. Morava numa casa que chamava Casa da Música, uma república. E o Max, que era o baterista, ele é das artes visuais, ele é formado em artes visuais. E ele tinha um quadro que tava sempre no fundo dos ensaios. Que é um quadro enigmático assim, de uma mulher, que é a capa do disco. E qual a história desse quadro? O pai dele, que é aviador, trabalhava, sei lá, na Varig, numa empresa dessas, um dia alguém falou assim pra ele: ‘cara, você tá voando? Você vai pra Recife?’ ou, sei lá: ‘você vai pra Tocantins? Eu tenho uma coisa pra você entregar pro João, pro Pedro! Lá em Tocantins!’ e deu o quadro pro cara! Mas como ele ia encontrar o João em Tocantins? O Pedro do Pará? Aí ele ficou com o quadro, o quadro ficou com a família dele por anos e não se sabe quem é o autor da obra – pode ser que venha um processo aí!”

François Muleka e Renan Bernardi. Foto: Andressa Colbalchini

Dois anos separam os álbuns Karibu e Feijão e Sonho que, lançado em 2013, tem como marca ser o primeiro álbum assinado já como François Muleka em carreira “solo” que, no caso desse artista, é sempre muito bem acompanhado.

Além de contar com a participações de amigos que já estavam presentes no Karibu, Feijão e Sonho também marca o encontro de François com outro grande parceiro: Alegre Corrêa. “O meu encontro com o Alegre muda tudo pra mim. Porque eu conheci o trabalho do Alegre através do João Amado, que é aficionado com música instrumental e tudo. E eu conheci aquilo e fiquei ‘nossa!’, porque parece que os caras adivinhavam as partes, porque é um tipo de música que eu não entendia. E aí, um dia, eu tive a chance de ir até a casa do Alegre e mostrar pra ele uma música e ele se amarrou nessa música*. Eu morava em um pedaço da cidade, e o estúdio dele era em outro pedaço da cidade, bem distante de onde eu morava. E eu queria muito gravar um CD, então ele falou assim: ‘eu, se eu pudesse, eu pagava um salário pra você morar aqui na minha casa, pra você compor o que você quiser. Mas eu não tenho como fazer isso! Mas a casa, o estúdio tá aqui, existem quartos vagos, se você quiser, você pode ficar muito à vontade, você grava o que você quiser, isso é algo que eu posso fazer’. E eu fiquei morando lá”, conta ele.

Através da direção musical de Trovão Rocha, o álbum conta com formações e parcerias diversas para apresentar uma sonoridade que se une através dos encontros fronteiriços típicos da trajetória de François. Com canções marcantes para sua carreira, como “Dois Ali Se Amando Mesmo”, “Saindo de Férias Pra Cancun”, “Rita Maria Bandeira Dois” e a própria faixa-título, esse primeiro trabalho solo posiciona o artista em um lugar de maior destaque no cenário de Santa Catarina e promove maiores conexões dele com artistas e públicos de outras partes do Brasil.

*“Cânfora”, canção que François apresentou para Alegre Corrêa e fez esse se afeiçoar com o seu trabalho.

Infelizmente, nem tudo foi feijão e sonho na produção desse disco. Realizado a partir de uma campanha de financiamento coletivo, François me conta que o projeto teve problemas em sua etapa final. “Fizemos uma campanha de crowdfunding, ninguém praticamente sabia o que era crowdfunding aqui em Floripa. Tinha tido uma campanha, que era de uma outra área, não era artística, que tinha acontecido aqui pelo Catarse, o site. Então a gente tinha que explicar pra todo mundo o que era crowdfunding, e ainda captar. […] Uma pessoa, que era a produtora executiva, foi que me deu a ideia, ela falou: ‘não, você tem um potencial!’, eu achava que, se eu pedisse pra alguém dinheiro pra eu gravar meu CD, ninguém ia dar. Ela me deu essa confiança e foi atrás, e uma hora eu falei assim: ‘olha, mas e quando a gente pegar essa grana, quanto eu vou te dever?’ Tava eu, ela e o marido no carro, eu lembro disso. ‘Nada, François! Você é brilhante! Você merece tudo!’, ela disse. Então, quando saiu a grana, o que que aconteceu: surgiu uma taxa! […] O que me surpreendeu foi que eu, na verdade, voluntariamente, daria bem mais do que foi abatido – arbitrariamente, né? E nisso eu me ofendi, fiquei meio chateado e prejudicou o desenvolvimento final do projeto, na minha visão. Mas, objetivamente, é isso: porque o dinheiro foi todo pra conta dela, esse dinheiro não veio pra minha conta, foi pra conta dela e ela ia repassar e, no repasse, ela fez um repasse diferente do que foi o acordado”, me contou ele.

“Aí, depois disso ela não me ligou mais, ela só me mandou uma mensagem: ‘pagamento integralmente feito, nada devido entre as partes’. Tipo: uma pessoa que foi uma das primeiras a pegar meu filho quando ele nasceu, vivia na minha casa, tinha a porta aberta e, de repente, aquele e-mail institucionalizado, seco, meio que como se protegendo de algo. E aí, depois disso, ela me bloqueou das redes, que na verdade era o Facebook só, não sei nem se era bloquear ou se era excluir na época. E aí um amigo meu ligou e falou assim: ‘oh, Fran: o que que aconteceu?’, e eu ‘como assim, né?’ e ele disse ‘não, porque eu vi uma postagem’. Era um textão! Ela botou uma foto de violência contra a mulher, ‘não se cale’. ‘Tempos atrás, conheci um artista, tem cara de gente boa, mas é um salafrário’, alguma coisa assim, não lembro bem quais foram as palavras. Só lembro de abrir através do Facebook da minha companheira e chorar muito lendo os comentários das pessoas. Ainda não se falava em hate, mas as pessoas ‘ai, é quem eu tô pensando? Não acredito’, eu lembro de um comentário que era: ‘meu mundo caiu’, eu chorei nessa hora. Depois de ver tudo aquilo, as pessoas falando, tentando chegar em quem que era a pessoa, e pessoas até que eu conhecia, que me conheciam, se manifestando sem nem tentar saber o que foi. E isso me traumatizou muito, porque os CDs foram terminados, foram feitos, foram entregues pra nós, mas não foram entregues para todas as pessoas que pagaram por ele. As pessoas não sabem e acham que eu que não quis entregar, mas faltou grana do projeto, do que tava programado. E isso me trouxe problemas com o Catarse, o Catarse ficava me ligando, me cobrando pra eu poder entregar essas coisas pras pessoas. Aí eu expliquei pra eles que não tava no meu nome, que o pedido foi pro meu projeto, mas o projeto era essa pessoa. Se houver ainda o Catarse, se ainda existir o projeto, vai tá lá: o nome dela, o CPF dela que recebeu. Então, eu tive que pagar com dinheiro do bolso pra entregar esses CDs pra, pelo menos, alguma parte das pessoas. Eram 300, sei lá, então uma parte dessas pessoas recebeu, outra eu mandei por conta própria. Então eu tomei um baita de um preju financeiro, emocional e moral, porque é esse privilégio branco de poder dizer que eu tivesse feito uma coisa que eu não fiz. E felizmente, foi antes dessa possibilidade de tribunal da internet, de você sofrer um linchamento e tudo. E também porque eu não tinha um perfil que pudesse sustentar isso, porque ela deu a entender que eu tivesse ameaçado ela, entendeu? Com aquela foto de violência contra a mulher, dizendo que parou de trabalhar comigo porque aconteceu alguma coisa.”

“Mas o que eu fiz: eu só me recolhi, me pus em silêncio e deixei todo mundo que quisesse, ir tomando os seus partidos. Algumas pessoas tomaram seus partidos e depois entenderam o que aconteceu, outras nunca entenderam o que aconteceu. Mas o que ficou: isso aconteceu em 2013, eu trabalho até hoje aqui, se eu tenho um problema que eu me atrase, se eu tenho um problema que alguém não goste do acorde que eu usei, se um não gosta da voz ou, sei lá, acha que eu falo muito, mas eu não trapaceei ninguém. Não tô falando isso pra me auto bajular, mas eu preciso reconhecer que a minha postura, especificamente porque eu conheço a postura dos outros colegas artistas que tem qualquer pequena oportunidade, o quanto que eles abrem isso aos outros, e eu sei que eu sou uma pessoa muito generosa nos pequenos espaços que eu tenho, porque eu recebo generosidade de gente como o Alegre Corrêa, como a Marissol.”

Trovão Rocha, Marissol Mwaba e François Muleka. Foto: Andressa Colbalchini

Apesar dos pesares, falar da carreira de François ainda é falar sobre generosidade. Não à toa, foi um convite (e a insistência) do amigo Jean Boca para uma gravação que acabou gerando o seu segundo álbum, Limbo da Cor, lançado em 2015 e disponível no YouTube.

“Eu tava com trauma de gravação por causa do Feijão e Sonho, foi muito estressante pra mim. […] eu não queria gravar, não queria gravar, não queria gravar, queria só fazer um som. E aí ele: ‘sim, vamo só fazer um som. Mas e se a gente deixasse gravando pra ver?’, e eu: ‘tá bem’. E a gente entrou e gravou o disco todo num fim de semana e ficou maravilhoso. Foi também a minha primeira experiência mais dedicado em pegar os materiais, criar vídeos pra todas as músicas: ‘Limbo da Cor’, ‘Quilombo’, aí eu comecei realmente a pensar em estudar como é que eu crio um clipe, comecei a estudar isso e fazer.”

Após Limbo da Cor, François lança dois álbuns focados em sua performance solo ao vivo. Fauna Aflora, de 2016, é consequência de um show de mesmo nome e foi gravado durante uma apresentação que contou com a participação de Alegre Corrêa em algumas faixas; já Couragem, de 2018,  é gravado em situação de estúdio, mas tudo em takes únicos apenas com François e seu violão.

Para além de álbuns ao vivo de voz e violão, esses lançamentos, feitos em parceria com o projeto Rec’n’Play, são fruto de um estudo do artista sobre a sua própria obra e a performance da mesma.

“O Francis Pedemonte sempre fez parte de todos esses projetos e ele é a pessoa que começou a registrar visualmente, audiovisual, o que eu tava fazendo. E eu fui tendo oportunidade de ver ‘ah, olha só: quando eu vou errar uma nota, eu fico com uma cara amarrada’. Então eu comecei a ver isso e pensei: ‘cara, eu tenho que tirar essa tensão de cima de mim. Essa música é minha, mas eu não sou obrigado a cantar ela toda vez do mesmo jeito’, e eu fui aprendendo a recompor. Então, hoje, eu posso começar aqui a tocar um instrumento de plástico e, no tom que ele tiver, eu vou inventar um arranjo que eu vou poder tocar a mesma música. E eu entendi que isso tem muito valor, que existe algo ali, que é mesmo a música, e que não depende do arranjo, nem da melodia, nem da palavra! E cadê a música? Então tem música minha, ‘Jogo de Azar’, que eu tenho 200 mil versões. ‘Desempenho’: milhares de versões.”

“Ali, quando a gente se encontrou no esquema do Rec’n’Play, depois de ter gravado muito com Francis, muito volume, de começar a entender a dinâmica de que: se vai acontecer muito de o que eu vou falar ser registrado, eu tenho que ficar confortável com o que eu digo. Porque se isso vai acontecer toda hora e eu for ficar tenso toda hora, de eu ter que ser ornamental na minha fala, na minha presença, aí eu tô fudido. […] O Rec’n’Play, que tinha uma cara mais cinematográfica, virou tipo um superpoder, esse desembaraço. Embaraçado, mas desembaraço: ‘ah, eu vou chegar lá, tocar a música desse jeito, e é isso’, próximo. […] Que é essa lógica, que às vezes a gente não atualiza, de que, se pra cada foto eu tiver a mesma lógica de quando foi criada a fotografia, que eu vou me preparar, vou tomar banho, vou fazer uma superprodução. Hoje a gente tem como fazer 300 fotos aqui e não é a última da vida, essa é a do dia de hoje – e disco também!”

Foto: Andressa Colbalchini

“A ordem é prescindir, conciliar feijão e sonho”, diz a faixa-título de seu primeiro álbum solo. E, nesses anos da transição entre as décadas de 10 e 20, essa conciliação entre o pagar as contas e viver de arte ainda estavam rondando a cabeça de François. Por esse período, ele começou a levar mais a sério o seu trabalho com pintura e também começam a surgir trabalhos voltados ao audiovisual.

François me conta sobre essas empreitadas a partir da capa do EP Ovo, lançado em 2020 – logo antes da pandemia. Mas, nessa reflexão, ele também relata o momento em que houve um certo “autodescobrimento” de sua carreira, que acontece justamente nas fronteiras dessas artes e atividades.

“A capa já tá vinculada a uma série de pinturas, já é um trabalho de artes visuais um pouco mais robusto, em que eu já tinha prática de pegar e vender meus quadros. Criei um sistema de venda que funcionou pra mim e complementava minha renda e me empoderava também como pintor. Depois dessa plataforma de pintura, eu fui entrando em objetos de cena, fazer projetos de cena para peças de teatro, instalação, foto-instalação, vídeo-instalação, aí começou a pirar e foi tudo isso que foi me trazendo para o cinema e o cinema me trouxe o gosto de poder fazer algo que, como eu queria fazer vídeos, eu tinha que pegar músicas pra acompanhar os vídeos. Aí eu pensei em pegar as músicas que eu fiz na época do Fauna Aflora. O Fauna Aflora virou um show, mas ele existe como show porque eu queria criar um curso. Estando duro de grana sempre, mas naquela época mais, eu pensei ‘pô, como é que essa galera faz pra viver de arte?’, todo mundo bate nas minhas costas, fala que eu vou ser um sucesso, e assim: eu tava parando de ser jovem, as pessoas tavam parando de dizer ‘nossa, mas você é tão novinho’. […] Então, o que me possibilitou, até anterior a fazer esse disco, o último agora, é que quando eu entrei no cinema foi fazendo um filme, que chama Entrando No País Das Maravilhas, que fala sobre a história de uma música minha. E eu descobri, através da história dessa música, que eu tinha uma carreira! Achei que eu tava fazendo uma carreira, mas eu descobri que eu tinha uma carreira, que essa música tinha sido gravada por muitas pessoas e que eu nem tinha me dado conta. Então pensei que eu tinha a oportunidade de contar a minha história, né? Então eu queria contar mais da minha história, e fabular mais, mas eu precisava de músicas. E eu não queria ter que compor música de novo, mas aí, naquela época em que eu me perguntava sobre ganhar dinheiro, eu vi que a maioria da galera ou é herdeiro, tem um parente que dá uma grana, ou dá aula, pouca gente vivia só de tocar. E eu vivo de tocar e vender quadros e agora, depois de ter conseguido um edital pra fazer meu primeiro longa-metragem, eu consigo dizer que eu tenho também o cinema como uma fonte de renda. Agora tenho a Perene Filmes, que a gente andou fazendo vídeos para artistas como a Ivi Luna, uma artista que eu sempre admirei aqui. A gente fez clipes pra ela, capa de disco. Pro Curumim também, artista que admiro demais, a gente fez clipes pra ele, fez toda a identidade visual do disco novo, bem massa assim. Junto com Jéssica Junqueira, minha sócia na Perene, junto com o nosso assistente – na verdade ele é meu sócio de outros projetos tantos, que é o Luiz Fortunato, que acontece de também ser meu filho, mas ele retoca minhas pinturas, trabalhou no meu filme, nos vários filmes que fiz ele trabalhou otimamente na edição – nesse de hoje especificamente ele fez uma consultoria, ele parou, ouviu e fez sugestões que foram cruciais pro resultado final, então a menção não é à toa.”

O mencionado EP Ovo conta com as faixas “Um Segundo”, “Couragem” e “Samba de Jesus”: uma seleção criteriosa de canções de François que dialogam muito com o momento do Brasil naquele ano de 2020. “A Marina Decourt que fez a produção e codireção do EP. Ela tocou tudo, convidou as pessoas – tocou tudo não, mas tocou muito! Convidou as pessoas, me levou mesmo no projeto e trouxe pra mim de volta um brilho que eu tinha dentro”, conta ele.

Esse trabalho se destaca por ressaltar a multidisciplinaridade de François através de uma mesma obra. Além de contar com uma pintura sua na capa, os arranjos, a ordem das faixas e a suas letras apresentam elementos cinematográficos: “Um Segundo” é uma música introdutória por excelência, convidando o ouvinte a entrar no universo do EP com todo cuidado e carinho; “Couragem” traz o mote do projeto através de frases de resistência e de um posicionamento valente de ser-quem-se-é; por fim, “Samba de Jesus”, que inclusive nasce como um roteiro de vídeo, é certeira em retratar duas histórias marginalizadas, contextualizando-as em seus cotidianos e, mesmo retratando histórias e cenários que, infelizmente, nos são comuns, ainda consegue soar onírica, como uma canção de realismo-mágico.

Já em 2021 saiu o álbum Algorítmico, feito em parceria com o baterista Kabé Pinheiro, cuja capa também conta com uma arte de François. “É baixo e bateria, aí tem uns instrumentos lá doidos, a Marissol também participa. Mas foi tudo take one: a gente entrou, deu play, era madrugada assim. Nesse dia era ele que tava assim: ‘pô, Fran…será? mas gravar?’, e eu ‘pô, Kabé, tá tudo ligado já!’, e foi tudo maravilhoso, porque é take one e foi indo pá, pá, pá, pá e aí depois a gente gravou por cima com outros instrumentos.”

Assim como os projetos Feijão e Sonho e Limbo da Cor, Algorítmico conta com a direção de arte de Alice Assal. “A gente já foi companheiro, de morar junto e tudo mais, hoje em dia a gente é companheiro de cada um na sua casa, mas a gente se acompanha, trabalha junto e eu tenho muita admiração pelo trabalho dela, ele me complementa muito, ele me introduziu a segurança sobre tratar de visualidades, né? A maneira dela de olhar pra isso. Então, quando chega no Algorítmico, eu pensei ‘poxa, eu vou fazer a capa!’, ela me estimulou a isso.”

O álbum, além de marcar esse encontro entre François e Kabé, também serve de plataforma para apresentar canções como “Seu Bonifácil”, que acompanha os shows do artista há muitos anos e ainda não tinha sido gravada em estúdio.

Ainda se questionando sobre como viver de arte, ou melhor: “como não morrer de arte”, conforme ele mesmo disse, François pensou também em desenvolver um curso próprio de composição, que acabou gerando a metodologia para a criação das canções de seu novo álbum. “A galera da aula pra sobreviver, quem não tem quem lhe banque, aí eu vou dar aula de que? Já sei: vou dar aula de violão, mas aí todo mundo me fala que meu violão é original, eu vou ensinar pras pessoas o violão que eu toco? Eu achei meio charlatanismo, porque se o bom é a pessoa ser original, como é que eu faço pra achar o original da pessoa? Eu vou ter que descobrir como eu acho meu original! Aí eu fui pesquisar como é que eu compunha as músicas, e dessa pesquisa eu criei uma série de músicas em caderninhos específicos: eu ganhei vários caderninhos de uma amiga minha, a Luanda [Wilk], produtora daqui, e esses cadernos tinham nomes, ‘Ame Mais’, ‘Duvide Menos’, não sei que lá, aí eu pensei ‘vou pegar esses nomes como temas e ver como que eu crio uma música a partir daqui’. Não comecei pela música, porque eu faço música com palavras, a partir da palavra. E, como eu ainda não sabia que palavra colocar ali, comecei a partir das letras, pensei numa coisa meio atômica e fui a partir das letras, um jogo de letras: eu botava uma letra ‘A’, e embaixo desse ‘A’ eu botava mais uma letra, eu poderia botar ‘PA’ ou ‘CA’ ou ‘DA’. Aí vamos dizer que eu pegasse ‘CA’, aí em baixo de ‘CA’ eu podia acrescentar mais uma letra e tentando sempre manter fios de significado, podia embaralhar a ordem, mas tinha que manter as mesmas letras, então: ‘A’, ‘CA’, se fosse acrescentar mais uma: ‘CAI’, mais uma: ‘CAIU’, e eu fazia isso até a exaustão, cansava e ia pra próxima letra, então: ‘D’, de novo: ‘D’, ‘DA’, ‘DÃO’, ‘DADO’, ‘DADOS’, ‘SODAD’, né? Então eu comecei a entender que eu posso, em prol de manter o significado, eu posso corromper a gramática. Em prol de manter o significado, eu posso brincar com sons, onde era pra ser X, eu posso botar uma combinação que dê aquele resultado, seja porque foneticamente apropriado, seja por alguma corruptela que acontece já naturalmente.”

“Isso me rendeu um certo número de músicas, mas eu nunca conseguia enfiar essas músicas no show Fauna Aflora. Mas a ideia de Fauna Aflora acabou estimulando em como eu me vestia, acabou que foi comecei a ser mais estimulado pela Alice [Assal], que fazia os figurinos, a eu começar a me apropriar dessa possibilidade de, ao invés de eu pensar em como eu tenho que me vestir, eu ter guarda-roupas preparados, onde tudo que eu pegasse ali eu ia tá confortável. Então eu hoje pego e faço uma mala, se a gente for sair daqui e eu tiver que viajar por 15 dias, vou ter que passar na C&A comprar umas cuecas e é isso, meias e vou tá com as roupas que eu vou tá confortável pra seguir minha vida.”

“Achar esse conforto pra música, é bom, mas pegar esse conforto da música e levar pro meu dia a dia, é melhor. E o público nota que eu não tô travado ali pra expressar a nota, tentando achar conforto no erro. E esse erro é o quê? Tudo que tá acontecendo fora do currículo, mas é minha trajetória, né? Porque se minha trajetória é extracurricular, ok. Mas se toda minha trajetória é extracurricular, então esse ‘currículo’ é uma estradinha que não me contempla. Aquela coisa da praça planejada e os caminhos de cada pessoa, né? Então é isso, foi essa a viagem. Então, desse estudo para dar aulas sobre composição surgiu um show novo que não tinha nada a ver com dar aula de nada.”

Apesar do estudo não ter rendido o curso pretendido, ele acabou acontecendo em outra ocasião. “Aconteceu anos depois, na escola da Marissol, que aí conseguimos achar uma maneira de comunicar isso ao público, uma maneira de juntar as pessoas. Ela tem essa escola que chama Mwaba Canto e Expressão, que é muito eficiente em conseguir realmente acolher um ser humano que tá ali querendo arte, expressa-se através da arte, mas também fazer isso de uma maneira viável pra quem vai ministrar isso. Então foi muito importante ter esse contato, porque de novo: uma pessoa que eu abri uma porta, tá me abrindo outra. Porque eu já tinha aquele público pra ter minhas aulas, mas eu não sabia falar pra eles que eu poderia dar essas aulas, inclusive eu falava pras pessoas o mesmo conteúdo de graça, e eu podia vender e elas só não sabiam que eu queria vender o que eu precisava, elas tavam dispostas a pagar isso.”

Como já mencionado, as músicas feitas no caderninho geraram o novo álbum de François, Putamen: Curioso até o tálamo, que faz parte de um projeto maior chamado Meu Corpo, Minhas Réguas, que ainda envolve filmes e uma exposição de artes visuais.

Como prova da tão citada generosidade, a apresentação ainda contou com a participação de Carol Miranda e do grupo Apocalypse Cùier, que ocupou o palco com suas presenças, performances e canções.

Trovão Rocha, Apocalypse Cùier e François Muleka. Foto: Andressa Colbalchini

O novo trabalho de François soma uma série de coisas já comentadas nessa matéria: o método de “fazer com o que está à disposição”, conforme suas primeiras gravações, filmes e pinturas; a rupestria de criar instrumentos e sons a partir de objetos cotidianos; e também a lógica de se sentir confortável ao viver e fazer música. “Eu tava lá, deitado em posição fetal, pensando ‘meu Deus! Onde eu vou arrumar 30 mil pra gravar um disco que pode me levar a um grande prêmio?’, e daí eu tive um delírio, um acesso, que eu vi um François bem mais jovem do que eu entrando naquele meu quarto, vendo que tinha dois Macs, tinha um monte de cabo, de microfone bom, que tinha mesa de som, e que eu tava lá deitado, chorando num cantinho. Aí esse François veio e deu um chute no cu do François deitado lá, juro pra você! E aí eu levantei e gravei o disco num final de semana.”

“Fui gravando sozinho, fiz os beats, gravei as paradas. Aí eu botei minha paixão pelo rap também, porque essa música que eu praticava, eu sentia que elas eram músicas que atraiam, majoritariamente, um público branco, que tinha acesso aquilo ali, aquele tipo de música, sentando num barzinho de jazz e ouvindo o moço cantando o quitute da africanidade. E bom, eu queria falar com pessoas que se pareciam comigo, mesmo que eu esteja vendendo pra muita gente. Eu via que tinha um recorte que eu poderia tentar provocar uma mudança nesse recorte, e eu entendi que o rap, universalmente, ele integra culturas. Aí meu filho me mostrou o Black Alien, que eu já conhecia, mas ele me mostrou mais profundamente, aí eu comecei a me jogar mais com isso e enfiar minhas rimas no disco.”

Mesmo tendo essa autoprodução, Putamen: Curioso até o tálamo conta com participações de Marissol Mwaba, Alegre Corrêa, Francis Pedemonte, Sara Hana e a mixagem de Monalicia Kenobi (tecladista, compositora e produtora do Apocalypse Cùier).

“Depois que fiz isso, eu tava bem com isso, ia lançar. Mas aí, a Monalicia, que é uma artista que eu admiro muito, além da pessoa dela, né? É uma artista super criativa, eu já tinha tido uns contatos com ela de criar coisas muito rápidas assim. Aí ela falou: ‘ó, se quiser eu posso dar uma mixada pra você, Fran!’, e eu não queria a mão de mais ninguém, porque eu não queria ficar esperando de ninguém, nada. E ela teve uma postura muito respeitosa com aquele material, ela conseguiu só enriquecer! Só criar coisas que favoreciam, e isso foi me encorajando a mandar mais música pra ela mixar, e no fim ela mixou tudo.”

Foto: Andressa Colbalchini

Além de buscar uma maior conexão com as pessoas através de uma universalidade das suas formas de comunicação, François também está buscando expressar a sua curiosidade de forma direta, de uma maneira que os assuntos, complexos ou não, possam ser entendidos por qualquer pessoa que os consumir.

“É sobre essa possibilidade, que eu comentei até na roda de conversa aqui depois do filme, que é: ‘poxa, que bom que seria que as coisas sobre o nosso corpo, pudessem vir de um jeito que a gente pode entender’. A gente às vezes é levado a crer que, por falta de uma escolaridade, você não poderia acessar tal conteúdo. Mas aí, quando você vê, um molequinho de uma quebrada tal, ele sabe explicar muito bem que a terceira à esquerda, tal horário isso, tal horário aquilo: ele tá fazendo a descrição detalhada de um metabolismo dum lugar, da cidade! Então ele é um potencial biólogo daquele lugar, ele é um potencial neurotratador daquele espaço, porque ele pode, através da rádio local, estimular certos conteúdos; ele pode, através da sua atitude, da sua postura, do jeito de se agrupar, estimular uma certa onda de acontecimentos. Então não é a capacidade das pessoas que afastam elas do conteúdo, é como ele é apresentado! Aí Putamen, que acaba também atraindo, porque tudo é senta, tudo é puta, tudo é comer, my bitch, aí Putamen chama atenção, né? Putamen: Curioso até o tálamo, porque tudo é até o talo! Então é mergulhar pra dentro, não quero meter minha curiosidade em ninguém, quero mergulhar na minha.”

Mergulhando na própria curiosidade, François Muleka estimula a curiosidade de outras pessoas, promovendo não só uma carreira artística própria, mas uma arte que convida para a criação: “chama as pessoas queridas e vem.”

Foto: Andressa Colbalchini

Playlist exclusiva

Para acompanhar a matéria, criamos também uma seleção de canções de François Muleka presentes nos trabalhos citados no texto.

Ouça aqui:

4 respostas para “François Muleka: Curioso até o tálamo”.

  1. Avatar de Eh o Fransu
    Eh o Fransu

    poxa o texto eh de tal maneira envolvente que mesmo que ja sabia do conteudo li ate o fim pelo gostoso da forma.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Avatar de Renata Swoboda: “Penso, logo existo – no fundo do mar” – O Curiosólogo

    […] François Muleka: Curioso até o tálamo […]

    Curtir

  3. Avatar de Skrotes: groovando contra a maré – O Curiosólogo

    […] o formato; um álbum cheio de participações especiais, entre as quais eles citam Emilia Carmona e François Muleka, que já tocaram com eles em outras ocasiões (e também já apareceram aqui n’O Curiosólogo – […]

    Curtir

Deixe um comentário

Descubra mais sobre O Curiosólogo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo