Foto: Felipe Maciel
Parceiros em produções diversas, os artistas estiveram em Florianópolis para a exibição do longa Aquele Que Viu O Abismo, que aconteceu durante a 3ª edição do Sci-Fi Floripa Film Festival.
Por Renan Bernardi
Atualizado pela última vez: 29/07/2024, às 10h33.
Antes da sala escurecer-se toda e as imagens de Aquele Que Viu O Abismo serem apresentadas na grande tela, Gregorio Gananian e Negro Leo sobem ao palco, são formalmente apresentados e, depois, fazem uma breve conversa mediada por Rafaela Barbieri.
“Meio que pra introduzir o filme, falar da produção”. Foi algo assim que Gregorio disse, ainda antes de entrar na sala, enquanto conversávamos na lanchonete do Centro Integrado de Cultura (CIC) e esperávamos pelas 19h30, horário marcado para começar.
“Um filme pra ver e ouvir”, disse Leo – já durante o papo com Rafaela, com microfone na mão e graças para a plateia. “Tem que ter paciência, tá concentrado… entendeu? Ficar à vontade e entrar na história, né? É aquele negócio: se ficar muito impaciente, não sei o quê, não se diverte. E aí, ao cabo do filme, a gente conversa um pouco mais, acho que é isso.”
E, ao cabo do filme, a gente conversou um pouco mais. Uma conversa entre os kibes e beirutes da Kibelândia, entre cineastas e entusiastas do cinema. Eu, no meio do redemoinho, quis saber um pouco mais sobre a amizade e a parceira de Gregorio e Negro Leo, fruto de produções lançadas desde 2016 e que, em 2024, exibiram Aquele Que Viu O Abismo, o mais recente trabalho da dupla, durante a 3ª edição do Sci-Fi Floripa Film Festival, que aconteceu entre os dias 21 e 28 de julho em Florianópolis.

Os dois se conheceram em 2013 através de um amigo em comum. “Bruno Schiavo: ele foi o cara que fez o amálgama do Leo com São Paulo, pelo menos com a minha turma, né? Bruno chegou num dia me mostrando o som do Leo e me pegou na hora. Aquele barulho, né? E não de ruído, mas o barulho da existência”, disse Gregorio, que continua: “E aí o Leo veio fazer um show com a banda do Bruno [n.e: banda eueueu] na época, e o show era em São Paulo. E os caras da banda eram todos meus amigos: Bruno, Daniel [Scandurra], [Chico] França. E eu sempre fiz coisa de projeção, cenário, essa coisa do cinema expandido, então me chamaram pra fazer o cenário do show. Aí eu liguei pro Leo e a gente ficou trocando ideia de mil coisas e veio a ideia de usar um plástico-bolha que cobria o Leo e ele rasgava esse plástico, como se fosse um presente, digamos.”
O “barulho da existência” presente nas músicas, nas letras e na performance de Negro Leo chamou a atenção de Gregorio que, em 2015, o convidou para atuar e fazer a trilha sonora de seu primeiro longa-metragem, Inaudito, lançado em 2017. O filme traz como personagem principal o guitarrista Lanny Gordin e, pra Gregorio, trazer Negro Leo (e também o próprio Bruno Schiavo) para o trabalho foi uma forma de ser justo com a postura artística que Lanny tinha na época das gravações do longa. “O Lanny, comigo, na nossa amizade, ele não se interessava tanto pelo passado dele, ele achava chato, parecia que ele tinha que ir pra escola e ficar respondendo ‘gravei no disco do Caetano’. E o Lanny talvez seja a pessoa que eu conheço que mais tá no aqui-agora, imerso no aqui-agora. E aí foi uma coisa muito básica colocar ele pra tocar com os caras que tão fazendo o som mais legal agora, né? Foi muito natural essa participação, aquela diária foi muito mágica.”
“Acho que no Ninõs Heroes [n.e: álbum lançado por Negro Leo em 2015], eles tavam mexendo com uma sonoridade de muitas fronteiras na minha escuta. Não quero reduzir a coisas de tonalidade, atonalidade, porque isso é muito redutor do que é uma música, ele faz muito mais do que isso, né? Mas tava mexendo nesses lugares, sobre padrão de afinação, tonalidades, sem intelectualizar, mas estavam. E o som que o Lanny tava fazendo tava próximo disso. Tinha uma galera muito forte nesse período que tava querendo escutar tropicália, aqueles discos, fãs e tal, mas eu achava que o que o Leo tava fazendo tinha mais a ver com o Lanny daquela época, não com o Lanny dos anos 70.”
Além de ser o primeiro longa-metragem de Gregorio, Inaudito também é a primeira participação de Leo no cinema que, de lá pra cá, já esteve envolvido em mais de 10 outras produções, atuando como personagem, locutor, na trilha sonora e também na direção. Já Gregorio, vem desde 2011 dirigindo curtas, longas, projetos intermídias e clipes para caras como Jards Macalé e, é claro, Negro Leo.
Inclusive, antes mesmo de Inaudito ser lançado, acontece outra parceria entre os dois: o clipe de “Fera Mastigada”, faixa presente no álbum Água Batizada, de 2016. Esse projeto surge justamente durante a produção do longa, quando Gregorio voltou das diárias realizadas com Lanny na China. “A gente fez uma festinha lá em casa pra ver o material filmado, copião aberto e tal, e foi muito massa assim. E eu saquei que o Leo na hora tava curtindo, tava trocando ideia pra caramba das coisas. E aí, no encontro seguinte, na semana seguinte, ele me deu o toque do ‘Fera Mastigada’, de fazer o clipe. E aí, porra, eu achei maravilhoso.”
Depois, a parceria se repete no clipe de “Action Lekking A”, canção do álbum Action Lekking, lançado por Leo em 2017.
Já em 2020, Gregorio e Daniel Tagliari dirigem o curta A Guerra de Michael, cujo motivo são as gravações do álbum Desejo de Lacrar, de Negro Leo, lançado no mesmo ano. “A gente é muito amigo, tá trocando coisa todo dia, um sabe o que o outro tá programando, então tem aquela coisa assim. O Leo ia gravar o Desejo de Lacrar em não-sei-quantos dias e, numa noite, bebendo lá no Centro Cultural Vergueiro, tava o Paulinho Fluxus, aí foi a ideia de filmar: só filmar. Como proposição nossa, quando chamei o Paulinho – quando chamei não: quando a gente se chamou – pra tá junto, era de transformar o espaço do estúdio num espaço instalativo. Então, pro filme, cria-se uma iluminação pro lugar que deixasse o clima diferente. Mas não tinha uma ideia de ser o programa do disco no filme, era uma vivência, sem saber o que ia acontecer”, diz Gregorio.
Mais que um documentário cobrindo os making-offs de Desejo de Lacrar, A Guerra de Michael trabalha também as suas proposições conceituais. Uma chave para entender isso é a presença de Michael da Carioca, que também estampa a capa do álbum de Leo. “Porque tinha a história do disco, né? E a gente precisava de um cara que tivesse sido um militar de fato, entendeu? Pra, de certa forma, ser a síntese do que o disco tava propondo ali: a questão de militâncias, né? No plural. E as tensões mesmo intrínsecas a própria militância, contradições, etc. Então precisava de um cara que fosse um militar mesmo. Aí foi o convite foi feito a ele, porque ele fazia milhões de outras coisas diferentes”, justifica Leo, ao se referir às atividades que Michael exerce e exerceu depois de sair do exército, como ator, mágico, dançarino e cover do Michael Jackson.

Já em 2021, a dupla lança Nenhuma Fantasia: um curta dirigido pelos dois. “O Leo chegou com a proposição toda pronta: usar televisão e vai entrando dentro da televisão. Ele chegou com o texto, a gente fez uma montagem de texto, decupagem e fomos filmar. […] Era o segundo ano de pandemia, saindo pouco de casa, né? E aí a gente se reencontrou em casa, nessa mesma sala que a gente filmou o [Aquele Que Viu O] Abismo e, junto com o Bruno Risos, a gente filmou num só dia. Foi uma delícia essa filmagem, cara!”, diz Gregorio.
O curta, que eu ainda não pude ver, também conta com uma trilha sonora interessantíssima feita por Lcuas Pires:
Em 2019 acontece a viagem para a China onde são gravadas grande parte das cenas que vieram resultar em Aquele Que Viu O Abismo. Pergunto para eles se o país influenciou nas ideias para o filme e Gregorio me responde: “Mais do que a China, é o ir pra China, é a preparação que você faz pra ir pra um lugar e essas trocas e pensamentos sobre e no lugar, né? Quantidade de livro, essa quantidade de coisa que a gente estudou. A memória que eu tenho da China é tipo uma festa.”
Leo, enquanto comia um kibe, enfatiza: “Uma festa!”, e Gregorio continua: “Estivemos em Xangai, Pequim, num monte de lugar e parece que foi um sonho e tudo durou um dia ao mesmo tempo e cheio de memórias meio com buracos, fragmentos. Eu não acho que é ‘A China’, em si, que influenciou a gente. E mais do que ir pra China, ir fazer um filme! Você ir fazer um filme junto, num processo desse, aí é a viagem mesmo, profunda.”
Ainda lá na lanchonete, antes da exibição do filme, Gregorio tinha me dito que as filmagens aconteceram antes mesmo de existir um roteiro, o que possibilitou tudo ser muito livre e desprogramado. Leo – já na mesa do Kibelândia, depois da exibição – explica que “todo acting no filme é casuístico, entendeu? Até porque a gente não tinha um plano de filmagem, a gente saia com a câmera.”
Comento com eles que esse modus-operanti de filmar sem roteiro e montar a partir do acaso gerado nas filmagens se assemelhava com o processo de gravação de dois álbuns de Negro Leo: Ilhas de Calor, de 2014, e Niños Heroes, de 2015, onde Leo e músicos como Thomas Harres, Felipe Zenícola, Eduardo Manso e outros convidados realizavam sessões de improviso para, depois, em casa, editar aquilo em canções, cortando em pedaços e adicionando melodias e letras. “Porque o processo é o que determina, esse é o grande lance”, diz Leo, concordando com o comentário.
Gregorio também concorda, e acrescenta: “Eu acho que esse processo que eles desenvolveram em grupo no Ilhas de Calor e no Niños Heroes é um lance que, pra mim, é espetacular, isso me influenciou muito. Eu vejo, na música brasileira mesmo, como um dos caminhos de produção, de realização, que marca uma época, é muito forte. Os caras vão pro estúdio, preparam o som e aí que eu acho interessante: depois, vem o processo de pensar pra caralho, não é intelectualizar, é pensar igual um louco. Aí vem aquelas letras que tu não pode botar uma palavra errada, porque desmonta, você vê que ali cada palavra tem um cuidado pra não cair no gelo, né? Então é a junção, é tipo um yin-yang assim, é muito louco. E aquele som, com energia do aqui-agora.”
Apesar disso, Leo não guarda para si todos os méritos desse processo. “Mas acho que é importante frisar que, por exemplo, a questão propriamente cinematográfica, vem muito do Greg. A questão da técnica, da forma, da capacidade de ler esse lugar, isso é importante, sabe? Porque é quem domina mesmo a sensibilidade visual, a sensibilidade de organização daquilo que se olha, eu acho isso muito importante”, diz ele.

Mesmo fazendo parte da programação de um festival chamado Sci-Fi Floripa, os realizadores não consideram Aquele Que Viu O Abismo como um sci-fi propriamente dito. “Acho que tem duas camadas. Existem aspectos formais, hoje em dia qualquer cinema que vai conversar com o cinema americano, ele vai passar por elementos sci-fi. Tudo que eles revolucionaram, de inventar um mundo sônico, isso daí é a invenção sci-fi, a liberdade sci-fi: você vai fazer o som de uma porta, você pode fazer um som de porta novo. Mas, eu mesmo, assisti muito pouco sci-fi na vida, mas é um imaginário de um lugar que não existe – mas talvez um lugar que não existe não é uma ficção científica, talvez só seja uma ficção. Ou sonhos são ficção científica, né? O que eu acho que não, são ficções do inconsciente, são ficções mentais, épicos mentais. Esse é o ponto do aspecto formal, do som e da imagem, de uma certa iluminação que conversa com aspectos sci-fi”, defende Gregorio.
A outra camada é Leo quem traz: “Eu acho que o outro aspecto é o fato de que as coisas que tão no filme, a Prolife e tudo, são empresas que de fato já existem, entendeu? Como a Nectome: a gente fala da Nectome propositalmente no início do filme porque o cara da inteligência artificial, o Sam Altman, de fato já solicitou o serviço dessa empresa para ter o cérebro dele vitrificado, congelado, criogenado pra esse fim de preservação da sua atividade cerebral. Então, nesse sentido, não é sci-fi – entende o que eu tô querendo dizer? Porque já é uma coisa que existe.”
“A ciência acho que foi tão longe que virou ficção”, diz Gregorio. E, nesse papo de ficção, busquei saber mais sobre a relação do filme com uma das mais antigas histórias da literatura: Ele Que o Abismo viu: A Epopeia de Gilgámesh. “O Gilgamesh vem no começo e vem no fim do processo, né Leo? A presença mesmo do Gilgamesh. Ele vem no começo, quando a gente descobre o nome, e ele vem na etapa final de novo. É muito interessante a relação com ele, né?”, diz Gregorio – e Leo argumenta: “A imortalidade, né? Porque a ideia do texto mesmo, o texto sumério, é que o cara vai, faz todas as aventuras, viaja o mundo inteiro, não sei o que, buscando, vamos dizer assim, o elixir da vida eterna. É dado a ele, só que a serpente rouba e, quando a serpente rouba, acabou, não tem mais, ele volta pra terra dele e fala ‘é isso aí, vou perecer’. E o filme, de certa forma, é isso: o cara se voluntaria para a vida eterna.”

Tratando de temas da realidade científica, Aquele Que Viu O Abismo costura sua narrativa tornando os tempos distintos, com o passado embaralhando-se com o presente e com o eterno, assim como o real com o virtual, o delírio com a epifania. “Eu acho que o tempo inteiro o filme fica nessa fase e defasagem do tempo e da própria narrativa da história. Como se fosse uma coisa que cola e descola, cola e descola, e no descolar acontece o negócio que foge da gente, tem uns lugares que fugiram um pouco do controle do tempo do filme, toda hora tem essas faíscas, esses choques”, diz Gregorio, que aproveita para argumentar mais sobre o processo de montagem do longa: “A gente tinha um esqueleto, uma coluna vertebral, e ficava mais ou menos discutindo a partir de pontos luminosos, pontos em comum nossos e entendendo o que que era esse ponto comum no outro. E, a partir deles, a gente mais ou menos intuía, um processo de intuição de que daria alguns choques, entendeu? Só que a gente sempre se manteve pensando numa estrutura. O filme tem uma estrutura elaborada, um processo árduo, trabalhoso mesmo, a gente trabalhou muitas horas nessa organização do filme. Depois a gente foi tirando algumas coisas que a gente achava que não era necessário ficar revelando mais do que já é revelado, porque a imagem já é uma revelação, você não precisa querer fazer.”
Leo também fala um pouco sobre o processo de construção do roteiro a partir do estudo – e certa subversão – de padrões hollywoodianos. “A gente tirou muita coisa, esse filme foi mais um trabalho de tirar do que de botar, entendeu? No final das contas, depois que a gente organizou as peças, a gente entendeu. É aquela coisa: o personagem conhece a sua história. Não sei se chegamos a falar isso em alguma entrevista: o Greg apareceu com uma estrutura de roteiro que tá sendo muito usada. Porque assim: a gente começou com jornada do herói, aí fomos lendo Vladimir Propp, um linguista russo que influenciou todo o cinema norte-americano com um livro chamado Morfologia do Conto de Fadas, que virou a jornada do herói nos Estados Unidos e virou o que a gente conhece como cinema americano. Aí, recentemente, um grupo de roteiristas dos Estados Unidos criaram uma nova estrutura pra filme, que é o Save The Cat [n.e: o livro é creditado ao roteirista e autor norte-americano Blake Snyder], onde o filme é dividido em 12 beats, e aí cada beat é uma parte de como o filme deve correr. E a gente leu isso, e muita coisa se aproveita, nem tudo, mas uma coisa que marcou muito a gente, e fez com que a gente realmente fosse reduzindo o filme como a gente reduz um molho, foi essa frase: o personagem conhece a sua história. Então, se tu ficar contando demais, fica um negócio…entende o que eu tô dizendo?”
Gregorio entende: “Fica às vezes um cinema que não confia em quem tá assistindo, aí o personagem fica falando muito o que ele vai fazer, muito descritivo. E eu acho interessante, porque a galera as vezes tem uma leitura errada do cinema americano ou europeu que, quando o pessoal quer fazer cinema americano, eles ficam descrevendo pra caralho o personagem, e quando você vai olhar o grande cinema americano dos anos 30, 40, 50 é o contrário: eles conseguem colocar a necessidade em ação a partir da situação, e não da informação. E as vezes tem uma banalização dos personagens no cinema hoje em dia, como se o público fosse meio burro, né? Como se não confiasse na inteligência, o cara tá sempre explicando pras pessoas o que vai fazer.”
“A gente tava fazendo um filme noir, de certa forma, a grande referência do filme é o Detour [n.e: filme que Edgar G. Ulmer lançou em 1945]. E filme noir tem que ter o quê? Assassinato, revólver, traição. Aí a gente só colocou a família no lugar da femme fatale”, diz Leo. Sobre o mesmo tema, Gregorio argumenta: “Cinema, como o Leo fala, é pra ver e pra ouvir. A parte do visual, sobreluza. E o cinema noir é um dos cinemas que tem muita liberdade na criação das sombras, da luz, ele sai de uma necessidade de imitação da realidade, hermética. Ele permite, quase como um pintor, você criar as cenas.”
Outros aspectos noir do filme foram surgindo enquanto a nossa conversa ia se acabando. Eu, por exemplo, citei certa paranoia do personagem ser causada pela presença dos anúncios da comunicação em massa, algo que já existia no imaginário social do começo do século passado e que, hoje – assim como no filme – atua de maneira intensificada. Nisso, Gregorio veio com uma referência certeira: “Tu sabe que eu vi o filme do Otto Preminger, que o cara assalta um banco, e de repente sai o jornal: todo mundo na rua tá vendo a foto dele, e ele não consegue andar e ele bota o jornal no rosto. Eu tô dizendo isso porque o cinema noir já traz a paranoia, eles já pressentem de alguma forma. Mas eu entendo que hoje em dia isso tá mais nervoso e o [nosso] filme é mais nervoso nesse sentido. Mas é só porque eu vi recentemente esse, e é muito paranoico assim, até me fez pensar que a gente tem uma impressão de que antigamente as coisas eram mais fáceis, mas o jornal divulgava muito, um anúncio chegava pra caramba numa cidade, né? Numa comunidade. Só era mais localizado.”

Nas suas fases e defasagens do tempo, penso que Aquele Que Viu O Abismo é um trabalho que sintetiza bem a parceria entre Gregorio Gananian e Negro Leo em seus processos e conceitos: um fazer novo, livre e que, mesmo referenciando e reutilizando técnicas de outras épocas, se faz absurdamente no aqui-agora.



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